Arte e tecnologia: como as redes sociais ajudam na divulgação e criação de hits

Na era da cibercultura a arte tem encontrado um cenário complemente diferente de anos atrás: novos meios de produção, divulgação e até de reprodução deram espaço, como já comentamos aqui, a artistas pouco conhecidos. Grande parte da “culpa” deste processo de disseminação de novos hits, que nascem do dia pra noite, literalmente, é das redes sociais. Um link, uma vez visualizado, dez vezes compartilhado, 100 vezes comentado. É um caminho sem volta. De que forma os artistas se apropriam disso?

“Houve um tempo em que a lógica era outra. O cara criava uma banda e pensava em ter oportunidade em uma grande gravadora. Poucos conseguiam. A internet mudou tudo e nunca mais teremos outro Michael Jackson”. A frase do músico Felipe Machado, da banda de Ska Peixoto & Maxado, em entrevista a Rádio EBC Nacional, mostra as mudanças que cantores e bandas têm enfrentado tanto na criação como na divulgação do trabalho. “Primeiro foi o Orkut, onde fazíamos enquetes para recebermos sugestões de títulos de músicas. Agora usamos Twitter, Facebook e outros caminhos como o Sound Cloud”, disse.

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#ParaCegoVer Imagem do perfil do Snoop Dogg no SoundCloud, com o player tocando The Good Good

Uma das plataformas maios utilizadas na atualidades por artistas independentes é o Sound Cloud, rede social criada para aproximar músicos e fãs e que também ajuda na fase de criação. Já existem músicas “colaborativas”, onde cada parte é feita por pessoas que muita das vezes, nem se conhecem pessoalmente. O autor André Lemos adiantou isso: “A arte na era eletrônica vai abusar da interatividade, das possibilidades hipertextuais, das colagens (sampling) de informações, dos processos fractais e complexos, da não-linearidade do discurso… A ideia de rede, aliada à possibilidade de recombinações sucessivas de informações e a uma comunicação interativa, torna-se o motor principal da ciberarte.” (LEMOS, 2010, p. 178).

Mas como fazer uma banda se tornar lucrativa só com a internet? Qualquer banda ou cantor, do independente que está começando ao mais famoso, precisa das redes sociais para a divulgação de seu trabalho. Esse é também um dos melhores caminhos para manter um contato próximo com seus fãs e divulgar novidades. Porém, é necessário saber fazer um bom uso das redes sociais para não acabar prejudicando seu trabalho. Um mal gerenciamento de conteúdo pode mais atrapalhar do que ajudar na divulgação de uma nova música, por exemplo.

Tá com uma banda nova? Pra te ajudar, vamos dar três dicas de como dar aquele up nas redes sociais:

1. Escolha sua rede social preferida (a que se adequa ao seu projeto);

2. Mantenha seu perfil atualizado;

3. Crie um site e nele, integre todas as informações da banda.

O avanço das tecnologias nos permite ter acesso as playlists do mundo inteiro, as redes sociais nos permitem compartilhar divulgando assim nosso artista favorito (ou fazer campanha contra aqueles que a gente odeia). Para Pierre Lévy, isso se chama de cérebro global. “Cérebro global é a internet”, disse Levy em agosto de 2011, quando participou do projeto Oi Futuro, no Rio de Janeiro. Cabe a nós agora, escolher como gerenciar tantos conteúdos e nos adaptar as mudanças que ainda estão por vir.

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#ParaCegoVer Imagem da capa do livro “Cérebro Global”
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Música para surdos: como acontece?

Provavelmente você já ouviu a expressão “sinta a música”. O que acha dela? Estranha ou compreensível?

Na nossa sociedade, muitas pessoas crêem ou são direcionadas a crer que música é somente a nota, o instrumento, o som captado por nossos ouvidos. Porém, aqui, vamos mostrar um pouco que isso não é verdade, e como os surdos costumam apreciar esse tipo de arte!

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De acordo com o Dr. Dean Shibata, professor de radiologia e autor de um estudo feito nos Estados Unidos, na Universidade de Washiington, sobre como surdos apreciam a música “as descobertas sugerem que a experiência que os surdos têm quando ‘sentem’ a música é similar à experiência de ouvir música para outras pessoas sem essa condição. A percepção das vibrações musicais pelos surdos é tão real quanto seu equivalente sonoro por serem ambos processados pela mesma região do cérebro”, destaca a pesquisa. O estudo contou com 10 voluntários surdos e 11 ouvintes, que foram direcionados à uma ressonância magnética do cérebro enquanto sentiam vibrações nas mãos. Os dois grupos ativaram a mesma área do cérebro que capta vibrações, mas somente os surdos tiveram atividades no córtex auditivo, que normalmente só se ativa quando estimulado por sons. Surpreendente, não?

Ainda sobre acessibilidade para os surdos no mundo da música, a cantora Luíza Caspary deu uma entrevista pra o Hand Talk, aplicativo que traduz frases, fotos e falas para Libras (Língua Brasileira de Sinais), falando sobre seus shows acessíveis e como ela começou a fazer isso. Ela disse que sua mãe fez um curso de Audiodescrição em 2010 e ensinou isso para ela, e já que Luíza já gostava de música, gravou um videoclipe com esse recurso. Agora ela também contrata interpretes de Libras e coloca legendas em seus shows, assim dando uma melhor experiência aos não-ouvintes.

Luíza Caspary

O Folha de São Paulo também publicou, em 2013, uma matéria sobre uma banda formada somente por crianças surdas, chamada Banda do Silêncio. Um pequeno esquema foi colocado ali para que todos os leitores possam entender como funciona a audição de um surdo, e você pode vê-lo abaixo:

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Para ver a matéria completa, clique aqui.

Há também o projeto de um aparelho que permita aos surdos ouvirem pela língua. Conta com uma pequena placa de sensores presa ao céu da boca, um microfone e algo parecido com um fone de ouvido. Está sendo desenvolvido por John Williams, um pesquisador da NASA que teve sua audição prejudicada pelas câmaras de vácuo. Você também pode conferir mais sobre isso aqui.

Para Sara Mirzraim de Oliveira, no texto “Interação de pessoas surdas e ouvintes com o mundo virtual: uma análise sobre as diferenças entre interações de surdos e ouvintes com o Facebook” as redes sociais são , com destaque o Facebook , uma forma de igualdade entre as pessoas com deficiência. Ela destaca as pessoas surdas e escreve que “A multiplicidade de pessoas que utilizam a internet é, de certa forma, um benefício para as pessoas surdas, pois quando estão conectadas em seus bate-papos e e-mails, as diferenças e deficiências auditivas tendem a não ser percebidas, potencializando a interação com todas as pessoas” (pág 88) . Assim, levando essas considerações em relação a música e a igualdade causada pela acessibilidade, podemos dizer que “ouvir” música vai além de ser um ouvinte,é também uma sensação, e os avanços tecnológicos podem permitir cada vez mais essa acessibilidade,essa igualdade . O que falta talvez seja uma maior adequação. E se todos os músicos pensassem no silêncio ? E se todos os surdos pudessem “ouvir ” música ? Reflita! Respeite!  

 

                                                                                 Sarah Bemerguy Côrtes e Wanessa Alexandrino